quarta-feira, 7 de novembro de 2012

REVISÂO DO PLANO DIRETOR DE SOROCABA




O Plano Diretor de Sorocaba estabelece normas para ocupação e uso do solo e orienta o desenvolvimento da cidade, levando em conta fatores como o sistema viário, áreas de preservação ambiental, residenciais, industriais, comerciais, entre outras. A legislação atual de Sorocaba foi aprovada em 2004 e já passou por um processo de revisão em 2007. O atual processo de atualização do Plano Diretor visa adequá-lo à realidade de Sorocaba, em conformidade com o Estatuto das Cidades, que prevê a revisão da legislação a cada dez anos.

Em Sorocaba no dia 21 de NOVEMBRO DE 2012,  haverá a 2ª audiência pública sobre a revisão do plano diretor de Sorocaba. O texto passou pela SEMA, fizeram várias modificações e a SEHAB transformou num PLANO 

IMOBILIÁRIO, a pressão das construtoras é enorme. Eles estão fazendo várias modificações muito ruins pro meio ambiente, tentando incorporar faixa de proteção de 15 metros para os córregos menos importantes da cidade, fora que para esses imediatistas a área rural é ÁREA DE "RESERVA IMOBILIÁRIA".

Os textos e mapas estão disponíveis na página principal da prefeitura.


http://www.sorocaba.sp.gov.br/pagina/776/
2ª Audiência Pública, a ser realizada na data de 21 de Novembro de 2012, com início às 9h, na Câmara Municipal de Sorocaba, situada a Av. Engº Carlos Reinaldo Mendes, nº 2.945, Alto da Boa Vista, para apresentação, discussão e validação das propostas de alteração .recebidas e na 1ª Audiência.

ATUALIZAÇÕES - Entre as mudanças propostas pela revisão do Plano Diretor, está a expansão da zona central, até o Jardim Paulistano, Jd. Faculdade, Jd. Sônia Maria, Jd. Panorama e Jd. Emília; a transformação em zona residencial 2 de áreas no Jd. Judith, Jd. Monte Carlo, Trujillo, Santa Rosália, Éden, Jd. Eldorado e Jd. Astro; transformação de áreas rurais em zona residencial 2 (por ex.: Caputera, Brigadeiro Tobias e Ipanema das Pedras), zona residencial 3 (Quintais do Imperador, Aparecidinha e Éden) e zona industrial 1 (o entorno do Parque Tecnológico e Toyota); novos Corredores de Circulação Rápida e de Comércio e Serviços em diferentes regiões da cidade; condicionamento das Zonas de Expansão Urbana ao Plano Diretor do Saae, entre outras.

Elaborado por técnicos do município, com participação de especialistas da sociedade civil, a proposta de revisão do Plano Diretor se encontra disponível aqui , com o projeto de lei e os mapas Zoneamento Municipal, Macrozoneamento Ambiental e Sistema Viário. Os interessados em apresentar sugestões podem encaminhá-las ao e-mail planodiretor@sorocaba.sp.gov.br.




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

SOBRE A ARTE DE CULTIVAR AS PESSOAS


"Conta-se que, na China antiga, um príncipe estava as vésperas de ser coroado imperador mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar. Sabendo disso, resolveu fazer uma disputa entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta e anunciou: "Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, trouxer-me a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China."

A proposta do príncipe não fugiu as profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos, etc...



Uma jovem muito simples, que nutria
sentimento de profundo amor pelo príncipe, embora não fosse de berço ou tivesse formosa beleza, decidiu que participaria do desafio, concorrendo com as mais belas moças, vestidas com as mais belas roupas, adornadas com as mais belas jóias e, também, com as mais variadas - e nem tão belas - intenções.
Mesmo cuidando com ternura e paciência de sua semente, por não ter muita habilidade na jardinagem, nada surgia no vaso da jovem. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor cultivado. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado.Na hora marcada pelo príncipe, ela estava lá com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a jovem como sua futura esposa.
As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu: "Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas sementes que entreguei eram estéreis."

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Balanço: 03 anos dentro da Secretaria de Meio Ambiente


Trabalhando na Secretaria de Meio Ambiente de Sorocaba, no meu balanço pessoal é que aprendi  como não fazer parte da solução. Por diversos Motivos:
  1. Metade dos funcionários me odiavam por conta das minhas cobranças técnicas antes de existir a secretaria de meio ambiente de Sorocaba-SP;
  2. O cargo"Gestor de Desenvolvimento Ambiental" me dava pouca ou nenhuma autonomia;
  3. Acabei indo trabalhar em parceria com a SEOBE na arborização e foi uma rica experiência, mas que me mostrou em detalhes porque a coisa toda não funciona
  4. Trabalhei para as 03 diretorias da SEMA, isso também foi um pouco exagerado, as vezes as demandas eram complexas;
  5. A SEMA não tem força política e nem orçamento condizente com as demandas
  6. O prefeito gosta mesmo de eventos com muita mídia, assim sendo: soluções imediatistas e eleitoreiras
  7. O mega-plantio foi a gota d`água para mim. Pois não haverá MEGA CUIDADOS, o que haverá serão MEGA-PERDAS.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

EXISTE COPA SEM MUNDO?

A Fhito fórmulas inova mais uma vez!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

À moda do dono - Casa própria feita por você mesmo


Cada vez mais e mais pessoas concretizam o sonho da casa própria – construída com as próprias mãos. Esqueça o preconceito: você também pode bancar o joão-de-barro

texto Ronaldo Bressane


Todo dia ele fazia tudo sempre igual. E sempre terminava em churrasco com a turma toda. Antes, no entanto, era meter a mão na massa, na marra, na maciota, na medida. É que tinha resolvido levantar a própria casa. Tinha uns amigos que já moravam na área – todos fugidos de apertamentos na cidade. Comprou um lote naquela porção intocada de mata atlântica e colocou mãos à obra. A mão de obra foi importada: queria trabalhar com os gaúchos que havia conhecido na fronteira do Uruguai, mestres em criar telhados de palha. O pagamento seria pequeno, porém justo, e a picanha de todo dia cimentava a amizade da companheirada.

Quando viu o sobradão subido no terreno, não deu outra. Repetiu o esquema cotidiano dos quatro meses anteriores – e, poxa, por que não? Promoveu um novo e suntuoso churrasco para a galera – “ninguém é de ferro”, ri James Elkis, o construtor dessa história. Engenheiro civil, há 25 anos Elkis (primo do paisagista Gilberto) comprou um lote de 2300 m2 em um condomínio em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, onde nos anos 1960 alguns artistas haviam construído ateliês ou casas para o fim de semana. Fez uma maquete de oito cômodos, 4 x 4, formato de cruz, prevendo um sobrado de 200 m2. Foi matutando a ideia. Um dia soube que a Eletropaulo se desfazia de várias cruzetas de madeira, daquelas usadas para postes. Encheu dois caminhões de cruzetas. “Com essa madeira deu para fazer deque, vigas, tesouras, batentes de janelas. Material de graça, só paguei o frete”, afirma.

O teto, feito de palha de Santa Fé, é um verdadeiro artesanato. “A palha dá no banhado do Rio Grande do Sul, é tradição dos gaúchos para construir suas casas; os uruguaios também usam – eu tinha visto uma casa assim em Punta del Este e babei. O telhado tem mais área que a casa inteira”, diz. Tirou quatro meses de licença do trabalho, chamou um pessoal para dar uma força – os tais gaúchos importados. “Fazia churrasco todo dia, para motivar.” O que não fosse trabalho de carpinteiro ou pedreiro, hidráulica, elétrica, ele fazia – no resto, sete pessoas o ajudaram.

Mais madeira de demolição reutilizada, guarnições recicladas – e até o vidro das janelas saiu de graça: “Troquei um computador que eu tinha pelos vidros, assim envidracei a casa toda na faixa”. No entorno da casa criou ambientes com bambu – bancos, garagem, gazebo. Mais tarde, o bambu seria a estrutura de sua nova carreira. Deu um pé na engenharia e começou a criar luminárias, objetos de decoração e estruturas de bambu tratado. Depois de duas décadas vivendo na casa que construiu, estava na hora de ir plantar outras casas por aí. Hoje Elkis vive em Anápolis (GO).

Ecovilas. Uma saída?Goiás parece ser mesmo o centro da nova consciência imobiliária. Em Pirenópolis estabeleceu-se André Jae ger Soares, 46, quase um evangelizador do “construa você mesmo”. Ali funciona o Ecocentro Ipec, Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado. Permacultura é uma palavra criada pelos ecologistas australianos Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970 e vem de “permanent culture”, ideia assentada sobre a sustentabilidade ecológica.

Pedagogo, tradutor e professor de informática, Jaeger saiu do Brasil no começo dos anos 80 e foi tentar a sorte na Austrália. Descobriu toda uma cultura voltada à autoconstrução. Sentiuse à vontade: desde os 13, quando vivia em Novo Hamburgo (RS), dava uma força para os pais e vizinhos montarem suas moradias. Fundou um instituto de sustentabilidade na Austrália e, oito anos depois, voltou ao Brasil para mostrar às pessoas que construir a própria casa “não é coisa de hippie”.

“Muitos fizeram casas em mutirão, e temos a riquíssima experiência das favelas. A classe média é que tem preconceito com a autoconstrução”, afirma Jaeger – que garante levantar uma casa em 60 dias, com uma equipe mínima. Já fez 30 casas em Pirenópolis e está construindo quatro ecovilas – sem contar a consultoria que realiza aqui e em países como Argentina e Portugal.

Jaeger crê que mudar para a própria casa equivale a transformar os próprios valores. “Numa ecovila, temos outro modelo econômico: o custo é baixo, mas a segurança e o conforto são altos. O ar é mais puro, o conforto térmico é melhor, tenho uma casa confortável, amena, sem ar-condicionado, a água que bebo é da chuva, vivo no meio dos pássaros, não preciso de porteiros nem pago condomínio...” É uma experiência inevitável a longo prazo, segundo o engenheiro autodidata. “Ou fazemos isso ou nossa sociedade colapsa. Não há como manter esses níveis de consumo e stress pessoal e ambiental. Nas ecovilas antecipamos o futuro: quando chegar a pressão, as pessoas terão uma boa referência.”

Um exemplo é a energia elétrica. “Aqui, temos um sistema demonstrativo de energia solar e outro de biogás. Mas o grosso do nosso uso é via rede elétrica, ainda não há condições econômicas para viabilizar isso. Acontece que, se a energia acabar, não se faz nada – sem gasolina, em duas semanas faltaria comida em São Paulo. Aqui não: sobrevivemos com o que plantamos. Por não terem sido educadas a viver com o essencial, quando as pessoas ficam sem luz acham que vão morrer. E algumas vão mesmo... porque não se prepararam”, diz o permacultor.

Apesar do desinteresse por TV, nas ecovilas a banda larga de internet é essencial. E, ao lado da necessidade de assumir seu consumo de energia, tu te tornas responsável pelos resíduos que cativas... “A primeira coisa que fizemos foi desenvolver tecnologias de reciclagem de lixo. Um sanitário seco transforma resíduo humano em húmus. Aqui, 100% do lixo orgânico é reciclado e 40% do resto se transforma em matéria-prima para ser usado em arte ou educação. Nas ecovilas, uma pessoa produz menos de 5% do lixo de uma pessoa vivendo em uma cidade”, diz.

Mão na massaMas nem só engenheiros ou militantes ecológicos vivem nas casas à moda do dono. Tem gente a que simplesmente dá na telha levantar seu espaço – caso de Lilian Chiari, administradora de 29 anos. Ela construiu a própria casa somente com a ajuda de um pedreiro, de um vizinho especialista em adobe, além, claro, do marido, um especialista em serviços verticais que trabalha no Parque Nacional da Serra do Cipó. É uma construção de 96 m2, com três quartos, um banheiro, uma sala com cozinha e varanda – tudo prestes a ganhar mais 70 m2 com cozinha de fogão a lenha e mirante. “Ela ainda não está acabada, não teve projeto nem nada, nem arquiteto nem engenheiro. É tudo uma mistura de sorte e vontade, meio fora do padrão convencional.”

“A melhor parte é meter a mão na massa”, diz Lilian, que se mudou para a serra do Cipó há um ano – a casa ficou de pé em nove meses. Morando com marido e filha em um município de 3 mil habitantes, quando sente saudade da cidade Lilian vai visitar parentes em Belo Horizonte, a 100 km do Cipó. “Fiz minha casa aqui porque queria de uma maneira concreta ficar mais perto do mundo natural, e a possibilidade de realizar uma utopia de vida boa na cidade é difícil”, diz. O interessante de viver nesse esquema é que não existe rotina: “É muito gostoso acordar, ver o que é preciso fazer, se o cão ficou doente, se a plantinha requer cuidado...”

Além da ideologiaSe você não quer mudar todo mundo para a casinha de sapê cantada pelo saudoso Zé Rodrix e apenas quer se mudar para um lugar mais bacana, construir o próprio espaço é a melhor alternativa – economicamente. O gramático Francisco Moura, 60, há dez anos adquiriu um sítio dos anos 40 no sertão de Barra do Una, litoral paulista. O filho, o arquiteto Gustavo Moura, ajudou na reforma. “Mantivemos a rusticidade e respeitamos as características essenciais da casa, o cimento queimado, mas abrimos espaços, colocamos vidros”, diz o professor. Construiu ainda uma área de lazer – a piscina aproveita a água de uma nascente e devolve-a para o mesmo rio que contorna a propriedade, de 120 mil m2, com somente 10 mil m2 utilizáveis: o restante é destinado à preservação da mata original.

Francisco vai lá a cada 15 dias – mas a ideia é morar no Una a médio prazo. Por ser um sítio primitivo, sem luz elétrica, foi adquirido a bom preço. “O preço de uma casa está relacionado aos materiais de acabamento”, ensina Jaeger. “A indústria está voltada ao alto nível de industrialização e refinamento. Se você coloca mármore da Itália, tão bom quanto uma pedra de Minas Gerais, vai gastar muito mais”, afirma ele, que calcula o custo de suas moradias em 40% do valor praticado no mercado.

Elkis confirma: “Minha casa em Taboão custou 30% do que custaria se tivesse encomendado ou comprado uma pronta”. Elkis não mora mais em Taboão da Serra – em Goiás, como diz, está tudo por fazer. Porém, mesmo de longe, se orgulha do feito. Um orgulho intransferível, como descreve o escritor Primo Levi em A Chave-estrela, sobre a experiência da construção: “O prazer de ver crescer sua criatura, placa sobre placa, parafuso após parafuso, sólida, necessária, simétrica e adaptada ao escopo, e, depois de terminada, de contemplá- la e pensar que talvez viva mais do que você e talvez sirva a alguém que você não conhece e que não o conhece. Talvez possa voltar a vê-la quando estiver velho, e lhe parecerá bela, e no fim não importa se parece bela somente a você, que pode dizer a si mesmo ‘talvez um outro não tivesse conseguido’”.


De volta à floresta


O diretor da organização The Green Initiative explica como reverter a devastação com o plantio de árvores

Eduardo Araia

Ao ligar seu carro, ouvir um CD ou acender uma lâmpada, você participa de uma cadeia poluidora que despeja no ar mais gases ligados ao aumento da temperatura média da Terra. Conscientes disso, muitas pessoas e empresas já buscam alternativas para compensar a situação. Uma opção é oferecida pela organização paulistana The Green Initiative. Enquanto outras entidades em geral trocam a quantidade de emissão de gases do efeito estufa por créditos de carbono, a organização propõe neutralizá-la recompondo áreas de mata degradada às margens de rios e lagos.

A Green Initiative tem apenas um ano, mas seus diretores os engenheiros Osvaldo Martins e Francisco Maciel, o biólogo Roberto Strumpf e o engenheiro de computação David Dieguez atuam há mais de uma década na área, desenvolvendo projetos para governos, indústrias e instituições. A entidade ganhou nome em inglês porque, segundo Osvaldo, a expectativa era trabalhar com a adesão de parceiros estrangeiros. Mas muitos brasileiros têm procurado a organização. O escritório de advocacia Pinheiro Neto (um dos maiores do país), por exemplo, calculou suas emissões de cinco anos e, para neutralizá-las, financiará o plantio de 64 mil árvores nativas da mata Atlântica. Já a banda de pagode Jeito Moleque chamou a entidade para neutralizar o primeiro show da turnê. Se alguém em contato direto com o público jovem tem essa consciência, as coisas estão melhorando mesmo, diz Osvaldo.
Como surgiu a idéia de criar a The Green Initiative?
O tema de meu doutorado em ecologia foi o potencial de absorção de carbono na recomposição de matas ciliares. A idéia era desenvolver projetos desse tipo com créditos de carbono fl orestal, como definido no Protocolo de Kyoto. Concluí que é muito difícil fazer um projeto como esse, porque há no Protocolo uma série de obstáculos para implantá-lo. Por exemplo, Kyoto contempla sistemas que são lucrativos por si sós, como uma usina de açúcar; já as fl orestas, para a economia convencional, não dão lucro. Ao analisar essa questão, pensamos na The Green Initiative como um sistema voluntário ou seja, não é preciso passar pela burocracia de Kyoto e não há geração de créditos de carbono em que uma pessoa ou empresa decide tornar seu processo mais eficiente em termos ambientais, com ênfase na questão do efeito estufa. Fazemos um inventário de emissão de gases de efeito estufa do projeto e uma relação metodológica para determinar quantas árvores é preciso plantar a fim de absorvê-los na atmosfera.
As florestas do Brasil não ajudam a combater o efeito estufa, como se acredita já há algum tempo?
A relação entre florestas e efeito estufa é algo muito delicado no Brasil. Cerca de 75% de nossas emissões de gases vêm, direta ou indiretamente, da devastação das florestas; se as considerarmos no balanço de emissão, o país está entre os cinco maiores poluidores do mundo.
Qual foi o primeiro projeto da ONG?
Foi a neutralização do CD de Txai Brasil, lançado no ano passado na conferência da ONU de mudanças climáticas. Fizemos o inventário de emissões do álbum, desde a obtenção do policarbonato até o consumo de energia caso o CD fosse ouvido uma vez por semana durante dez anos. Concluímos que, para cada CD, é emitido 1,8 quilo de dióxido de carbono. Como a tiragem foi de 3 mil exemplares, fizemos o plantio de 216 árvores.
Vocês monitoram o projeto depois da implantação?
Precisamos acompanhá-lo nos primeiros dois anos de reflorestamento a fase em que as mudas se adaptam às áreas recuperadas, com o maior risco de mortalidade. Os projetos são monitorados em toda sua vida útil (mais de 20 anos) pelo Ibama e pela Polícia Florestal, pois, uma vez que as Áreas de Proteção Permanente (APPs) como as áreas ciliares, prioritárias em nossos projetos sejam recuperadas, sua existência intacta se torna obrigatória por lei.
Como a organização escolhe as áreas de plantio?
Só no estado de São Paulo há 1 milhão de hectares de Áreas de Proteção Permanente de mata ciliar sem vegetação. A forma mais segura de encontrar essas áreas é recorrer ao cadastro dos Comitês de Bacias da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Esses comitês se inscrevem no Programa de Recuperação de Mata Ciliar da Secretaria, que não tem recursos para todos os casos. Contatamos alguém que não pôde ser atendido e acertamos a implantação.
Resgatar a dívida ambiental pelo plantio de árvores compensa outras alternativas, como a redução do consumo de combustíveis fósseis?
Por mais eficiente que seja o processo, sempre haverá poluição e, portanto, espaço para compensações ambientais, como a recuperação florestal. A grande questão ambiental do mundo não é a busca por energias mais limpas, é o questionamento dos padrões de consumo. Seria impossível expandir para a Terra o padrão de consumo de um cidadão americano; não haveria energia disponível nem depósito sufi ciente para tantos resíduos. O efeito estufa mostra isso: o depósito ficou cheio de CO2.
Há uma calculadora no site de vocês que permite que pessoas e famílias saibam quanto emitem de gases do efeito estufa. Como funciona?
O primeiro número a inserir é quantos quilowatts/hora de energia elétrica a pessoa consome em casa. As emissões ligadas ao transporte vêm a seguir. O outro componente é o consumo de gás de cozinha. A calculadora totaliza os valores e indica quantas árvores é preciso plantar para absorver esse gás.
O que cada brasileiro pode fazer em seu cotidiano para ajudar a reduzir a poluição?
Além de ter, na média, um padrão de consumo baixo, o Brasil usa uma energia mais limpa que a de outros países. A grande contribuição do cidadão médio brasileiro seria reciclar, reutilizar, economizar em tudo. Tratar os bens, objetos, recursos naturais de forma respeitosa. Plantar muitas árvores nunca serão demais e, principalmente, educar as crianças, porque a mudança da interferência do homem no meio ambiente é uma atividade de longuíssimo prazo.

Acesse o site da organização:
www.thegreeninitiative.com

Novo palmito

Palmito de pupunha socorre a Mata Atlântica

A palmeira pupunha, peruana, tem papel coadjuvante na preservação ambiental: como alternativa ao palmito, está ajudando a proteger a Mata Atlântica. Isso porque a nativa juçara, fonte original da iguaria, está ameaçada de extinção – um risco para a cadeia alimentar da fauna nos 5% restantes desse tipo de floresta. “O consumidor ainda não se deu conta de que pode alterar a situação”, diz o biólogo Domingos Bernardi Neto, da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Ocorre que muitos palmiteiros ainda se embrenham em áreas protegidas devido à facilidade da extração ilegal. O palmito roubado é misturado ao de manejo sustentável, o que dificulta a fiscalização. Já a pupunha traz vantagens. É cultivada em áreas abertas, sua colheita é rápida e o palmito não oxida, dispensando conservantes. E o trunfo maior: brota com várias ramificações da mesma raiz. Os troncos não abatidos continuam vivos, enquanto a juçara, com só um tronco, morre na extração. Saber qual a procedência do palmito e a espécie usada é arma do consumidor. “Mas ideal mesmo”, afirma Domingos, “é o repovoamento das florestas com a juçara.”

Berçário da mata


As sementes coletadas e semeadas em viveiros são usadas para reflorestamentos

por Marcelo Delduque


Voltava para casa com o bolso cheio de sementes. Minha mulher perguntava se era de comer. Talvez um dia sirva para isso, eu respondia. O relato é de José Ferreira, morador da zona rural de Ribeirão Grande, município paulista localizado na borda do Vale do Ribeira. Ao sair para catar sementes no mato, ele sonhava viver de forma digna próximo ao ambiente que mais ama: a floresta. Havia entrado em contato com as espécies nativas ao trabalhar no reflorestamento de uma antiga área de mineração. Descobriu que os viveiros tinham carência de sementes nativas de boa qualidade, material que existe em fartura nos grotões perto de sua casa. Não imaginava que o que começava a engenhar resultaria num caso raro de aproveitamento econômico da natureza que não a degrada, mas, pelo contrário, ajuda a espalhar a mata para onde ela se tornou escassa. Em 2005, a ONG Ecoar Florestal, que atua na região, percebendo o potencial da iniciativa, ofereceu apoio técnico. Outras pessoas se interessaram e hoje o grupo, batizado de Semente Nativa, fornece sementes para diversos viveiros, entre eles um da SOS Mata Atlântica. Duas famílias vivem do ofício e outras duas caminham para isso. Os coletores atuam somente em áreas cujos proprietários autorizam a entrada, sempre respeitando normas técnicas de sustentabilidade. Claro que deixamos sementes para a mata e para os bichos, eles são nossos sócios. As abelhas indicam flor. Passarinho cantando? Pode ir lá que tem frutos maduros, diz José.

O defensor da floresta


O advogado Jayme Vita Roso criou e mantém, com recursos próprios, a única floresta urbana de São Paulo

por Eduardo Araia


Em 1963, o governo do presidente João Goulart provocava uma enorme incerteza política e a inflação andava nas alturas. Em tempos assim, o manual do bom investidor recomenda aplicações seguras, como imóveis - e foi essa a estratégia seguida pelo advogado Jayme Vita Roso. Aos 30 anos de idade, ele adquiriu um terreno de pouco mais de 855 mil metros quadrados (85,56 hectares) entre o bairro de Parelheiros, no sul da capital paulista, e o município de São Bernardo do Campo, a 42 quilômetros da praça da Sé e a 20 quilômetros de Santos. A idéia original era dividir a área (devastada pela ação de madeireiras) em lotes e vendê-los. Mas os caminhos profissionais de Vita Roso mudaram, levaram-no para longe do Brasil - e a história daquelas terras nunca mais seria a mesma.
O então advogado de um grande banco ganhou experiência em direito econômico e foi chamado no ano seguinte para fazer um serviço na Itália. Outros trabalhos se sucederam e ele foi ficando. Por volta de 1969, retornou ao Brasil a convite de uma empresa que queria explorar gás no Vale do Paraíba, mas o negócio não deu certo e ele voltou a viajar - dessa vez rumo à África, contratado por construtoras francesas e brasileiras. Ficou cinco anos por lá, em países como Gabão, Mauritânia, Costa do Marfim, os dois Congos (o ex-Zaire e o Congo-Brazzaville), Angola e Moçambique. Vita Roso só retornaria em definitivo ao Brasil na segunda metade da década de 1970, já com uma perspectiva bem diferente a respeito de seu sítio em Parelheiros.
“Depois de ver toda aquela desolação na África, comecei a pensar sobre o que fazer com a minha área”, conta. Naquele momento, a história familiar também pesou muito. “Meus antepassados emigraram do sul da Itália para o Brasil no século 19 por causa de problemas ambientais”, afirma. “Nos séculos 16 e 17, os árabes e espanhóis invadiram aquela região e destruíram a cobertura vegetal para fazer construções e barcos. No século 19, essa devastação ambiental facilitou o surgimento de diversas moléstias endêmicas, como a malária.”
Transformação
Vita Roso decidiu então recuperar o sítio, denominado Curucutu - homenagem em tupi-guarani ao som feito pela coruja, abundante ali -, e em 1979 deu início a esse projeto. Trocou uma propriedade em Mato Grosso pela construção de duas casas, a sede e outra menor, até hoje a serviço do empreendimento. E pôs-se a erguer uma infra-estrutura capaz de concretizar seu sonho.
Naquela época, temas como ecologia, preservação ou planos de manejo eram praticamente inacessíveis a leigos, e o advogado fez tudo conforme sua lógica e sua inspiração ditavam. Comprou mudas em Limeira, no interior de São Paulo, ganhou outras em suas viagens e começou o plantio. “Fui plantando aleatoriamente, como me veio na cabeça”, conta. Com isso, espécies exóticas ganharam espaço no reino da mata Atlântica, algo inaceitável pelos conceitos de reflorestamento adotados hoje. Outros detalhes da infra-estrutura, como os cinco lagos e a criação de um cinturão ao redor das terras, para prevenir incêndios, tampouco são aprovados pela atual legislação ambiental. Mas quem pode recriminar esses equívocos no trabalho de um pioneiro bem-intencionado?
A mata imaginada por Vita Roso começou com paineiras e cedrosbrancos plantados com suas próprias mãos. Até os amigos acharam que tudo aquilo era uma loucura e que ele não veria suas crias crescerem. “Algumas das árvores daquela época já atingiram 25 metros de altura, ou até mais”, sorri Vita Roso, satisfeito em contrariar a profecia agourenta.
Depois do início aleatório, o advogado passou a dar preferência às espécies nativas da região no reflorestamento. Pelas contas atualizadas, já foram plantadas cerca de 800 mil árvores, das quais 500 mil vingaram e formam grandes bosques. Entre elas estão o guapuruvu (cuja madeira era aproveitada pelos índios para fazer embarcações), a bracatinga, pinheiros chineses e japoneses, o angico, o pau-brasil, o jacarandá, o cedro, a peroba e a araucária. Hoje, Vita Roso calcula que as matas do Curucutu respondam por cerca de 0,5% do oxigênio consumido em São Paulo.
Eficiência
Com a vegetação retomando seu lugar, os animais voltaram a povoar aquelas terras. Hoje em dia, elas estão repletas de pequenos répteis, mamíferos como veados, pacas, tatus e cotias, insetos como borboletas e pássaros como papagaios e, claro, corujas. Vita Roso gosta de tudo em ordem, e hoje em dia seu sítio é um modelo de eficiência. A administração conta com sete casas - a sede, com 400 metros quadrados, e seis menores. Um viveiro produz mudas para o reflorestamento. Toda a área é cortada por estradas impecavelmente conservadas e sinalizadas. Os oito funcionários, todos registrados, cuidam também de pequenas hortas e de um apiário, cuja produção é destinada a seu consumo.
Um plano de manejo estabelecido recentemente deve modificar o atual perfil ambiental das terras. O lote composto por espécies exóticas deverá ser substituído por exemplares nativos da região. O segundo grupo, de áreas cuja flora nativa já vem sendo manejada, passará por procedimentos visando a aprimorá-la.
O trabalho do advogado no sítio Curucutu já lhe rendeu farto reconhecimento. Entre os prêmios que ganhou estão o PNBE de Cidadania, em 2004, os Tops de Ecologia e Social, da ADVB, respectivamente em 1996 e 2001, e o Revista Natureza de Ecologia, em 1997. O advogado recebeu ainda a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, concedidos pela Câmara Municipal paulistana em 2004, e já foi objeto de reportagens em diversos órgãos de imprensa. Nada disso, porém, foi traduzido em apoio, e o fato é que ao longo de todos esses anos Vita Roso tem usado mensalmente metade do que ganha como especialista em leis antitruste e consultor jurídico de grandes empresas para arcar com os custos da reserva. “A única doação que recebemos foi de um amigo, que recentemente contribuiu com 20 mil reais”, afirma Vita Roso.
O tempo ensinou o advogado a ser cético em relação ao convívio com o poder público, cujas promessas de colaboração nunca se concretizaram. “Não conheço ninguém que ajude nessa área sem ter algum tipo de interesse”, comenta. “Ou quer manter cargo ou faz consultoria por indicação de alguém que depois pode facilitar a aprovação do projeto.” Por falta de opções, ele mesmo bancou a construção da estrada que liga seu terreno à Rodovia dos Imigrantes. Também saiu de seu bolso a instalação da energia elétrica e da fiação telefônica. Uma boa notícia recentemente foi a seleção da reserva pela Fundação O Boticário, que mantém o Projeto Oásis. Durante cinco anos, a propriedade será apoiada financeiramente.
Mesmo acreditando pouco no apoio externo, Vita Roso nunca deixou de preparar legalmente a Curucutu para essa possibilidade. No fim de 1995, uma portaria do Ibama tornou 10,89 hectares da área uma Reserva Particular do Patrimônio Natural - até hoje, a única do gênero localizada numa capital brasileira. No ano seguinte, foi constituída a Curucutu Parques Ambientais, uma ONG transformada em Organização da Sociedade Civil de Interesse Público em 2003. Com essa configuração, a entidade passa a ser administrada pelo Ministério da Justiça e fica capacitada a fazer parcerias com órgãos ou entidades públicos e privados, além de empresas e instituições nacionais e estrangeiras.
Dedicação
No início, Vita Roso chegava a passar pelo menos 14 horas diárias mexendo nas terras do Curucutu, plantando e replantando - sempre com o apoio da mulher e das três filhas. Agora, porém, perto de completar 74 anos, o advogado começa a sentir sua aparentemente inesgotável energia declinar. “Já não tenho mais idade para tocar aquilo”, diz em tom de lamento. É hora de cuidar mais da família, explica. Por isso, está à procura de uma empresa ou instituição que possa assumir a responsabilidade de levar o Curucutu adiante - com muito espírito humano, sempre buscando respeitar o próximo e administrando o empreendimento sem esperar nada em troca. “Precisamos e devemos compartir isso com os outros, não egoisticamente”, adverte. De qualquer modo, ele avalia que toda sua aventura ambiental valeu muito a pena. “O que fiz é uma obra que me dá muito orgulho e um grande prazer, espiritual e intelectual. Nada vai pagar a satisfação que tive ao realizar tudo aquilo.”