quarta-feira, 26 de maio de 2010

CONSCIÊNCIA VERDE


Gary Snyder foi um dos principais gurus da geração beat, movimento de contracultura que marcou os Estados Unidos a partir da década de 1960. A vanguarda comportamental continuaria após os encontros com o budismo e com a cultura indígena ­ descobertas que deram nova direção aos projetos desse poeta e ecologista, hoje voz da luta ecológica e ativista na busca por um mundo sustentável.




Em seus livros e palestras, Snyder alerta sobre a necessidade de restaurarmos o mundo natural do qual nos afastamos. O poeta vive com sua mulher em uma floresta nas montanhas de Serra Nevada, no norte da Califórnia. O casal partilha, entre outras coisas, a paixão pela natureza. Na construção da casa, erguida 35 anos atrás, os dois utilizaram troncos e pedras encontrados na região. “Trabalho a terra com minhas mãos, minha mente e meu coração diariamente”, conta Snyder.



No momento trabalha em seu novo livro,De Volta ao Fogo, sobre espiritualidade, literatura e ecologia. E afirma, categoricamente, que não precisa de muito para viver: “A vida junto à natureza me ensinou que felicidade é ter poucas necessidades, velhos amigos e uma respiração profunda, e que a essência do amor está nos bons olhares, nas palavras calmas e na compreensão profunda e silenciosa da vida”.



O que é consciência ecológica para você?

O termo “consciência social” surgiu da preocupação com a saúde e a justiça da humanidade. Precisamos, de fato, nos preocupar com as desigualdades da nossa ordem social e com o sofrimento de alguns de nossos irmãos. Já a consciência ecológica é a preocupação com todos os seres,todas as espécies,todosos habitats e ecossistemas complexos que constituem o mundo orgânico. A consciência ecológica é a extensão de uma preocupação moral que vai além das estreitas fronteiras humanas.



E de onde vem essa sua idéia de êxodo urbano? O campo está preparado para receber as pessoas de volta?

Chamei isso de re-habitação, um conceito que, às vezes, eu mesmo acho que parece ficção científica. Mas, quando olho para a realidade ao meu redor, sinto que meu raciocínio faz sentido: caminhando nesse ritmo, haverá um tempo futuro em que seremos obrigados, por causa do colapso ambiental, a deixar as cidades e os subúrbios, voltando para os campos.As pessoas vão voltar a viver com simplicidade e ecologicamente, desenvolvendo uma intenção sincera de estar ali por muitos milhares de anos, mantendo práticas verdes e sustentáveis.



Enquanto isso não acontece, como conseguir viver bem e aliviar a tensão típica de quem mora nos grandes centros?

Não assista a tantos programas de televisão, coma alimentos saudáveis, durma bem, acorde cedo, respire profundamente, faça exercícios, medite, cuide das necessidades da sua família, dê atenção aos seus amigos e a todas as pessoas. Olhe mais para o céu e para as águas correntes, escute os insetos e os pássaros e agradeça ao universo visível e invisível, sempre. Já é um bom começo. É importante lembrar também que cidades são apenas grandes vilarejos próximos de rios ou de mares. Precisamos amá-las mais.



Mas e quanto ao ambiente em si, não há nada que possamos fazer para tentar evitar esse colapso que você cita?

Claro que há. Uma boa arquitetura urbana, por exemplo, pode fazer uma grande diferença ­ de preferência, se ela estiver aliada a um planejamento urbano verde. Eu ganhei um vídeo sobre a cidade brasileira de Curitiba, onde parece que as pessoas deram alguns passos na direção de tornar a cidade melhor para se morar.



E hoje em dia, mesmo uma pessoa acostumada ao conforto das grandes cidades conseguiria se adaptar ao campo? Não existe o risco de devastação das paisagens naturais caso esse retorno bucólico ocorra?

É tudo conciliável.Graças à tecnologia e ao conhecimento de que dispomos atualmente, é possível viver com conforto e sem agredir tanto a natureza. Veja o nosso caso: vivemos num lugar ermo, onde não há rede elétrica. Então dependemos de painéis solares, grandes baterias e um gerador para fornecer a eletricidade, recurso que aprendemos a não desperdiçar ­ nunca deixamos uma luz acesa à toa, mesmo as crianças agem assim, espontaneamente. Não usamos ar-condicionado, esquentamos nossa casa com lenha, recolhida do chão da floresta. Usamos roupas quentes no inverno e quase nenhuma roupa exceto colares de contas e brincos no verão.



Mas há espaço para esse estilo de vida? As pessoas estão interessadas em viver de forma tão diferente?

Sinceramente, acredito que sim. Sou constantemente convidado a dar palestras sobre questões ambientais: falo de florestas, vida selvagem, e também sobre as grandes questões das economias globalizadas e o imperialismo do mundo desenvolvido. Defendo a sobrevivência das culturas indígenas em todos os lugares ­ povos que mantêm o estilo de vida que considero adequado.Aproveito essas ocasiões para mostrar que nossa preocupação ética não pode ficar limitada aos seres humanos, mas deve ser estendida a todas as espécies. O princípio judaico-cristão “não matarás” apenas se refere aos seres humanos. Está na hora de englobar a natureza.



Você também teve contato com o xamanismo e com plantas de poder. O que essas experiências lhe ensinaram sobre a natureza?

Tive algumas experiências com xamanismo em Turtle Island, onde conheci um guia em experiências espirituais. Experimentei o cogumelo psilocybe e o cacto peyote. As plantas de poder foram sempre muito instrutivas. O que quer que sejam em seus caminhos complexos, mostraram verdades escondidas dentro de mim.



Para saber mais

Livro:

• Re-Habitar, Gary Snyder, Azougue

GUERRILHA VERDE


Guerrilha Gardening


Comunidade on-line do primeiro projeto de guerrilha verde, onde há um blog com o relato dos "atos terroristas", dicas de plantio, algumas regras básicas e um fórum para troca de informações. www.guerrillagardening.org



Guerrilla Gardners

Versão canadense dos guerrilheiros de jardim. www.publicspace.ca/gardeners.htm



Primal Seeds

Site voltado à discussão sobre biodiversidade e controle de sementes, que também aderiu ao movimento. www.primalseeds.org/guerrilla.htm



Guerrilla Gardening - Wikipedia

Uma definição colaborativa deste novo movimento. en.wikipedia.org/wiki/Guerrilla_gardening



Revista Vida Simples

Aqui você relê a matéria "Minha Rua, Minha Casa", que em maio de 2004 já falava sobre a adoção e revitalização de praças e vias públicas. vidasimples.abril.com.br/edicoes/016/04.shtml



Serviços Públicos

• Estado SP

Parceria Público-Privada

www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=240360



• São Paulo, capital

Adote Uma Praça

www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/audio/index.php?p=7349



• Porto Alegre

Adote Uma Praça

www2.portoalegre.rs.gov.br/smam/default.php?p_secao=34



• Rio de Janeiro

Programa Voluntários Por Natureza

www.rio.rj.gov.br



• Curitiba

Plantio de Flores e Árvores

www.curitiba.pr.gov.br/Secretaria.aspx?o=5



• Petrolina e Belo Horizonte

Projeto Adote o Verde

cidadesdobrasil.com.br/cgi-cn/news.cgi?cl=099105100097100101098114&arecod=17&newcod=525



Projeto 21 - A responsabilidade Social das Empresas

notitia.truenet.com.br/desafio21/newstorm.notitia.apresentacao.ServletDeNoticia?codigoDaNoticia=296&dataDoJornal=atual

Flores em você


O deserto e o seu contrário não estão só na paisagem

“Venha morar junto a um oásis”, convida o folheto de propaganda, ilustrado com o desenho de um prédio residencial de uns 20 andares diante da foto de algumas árvores frondosas e floridas.Aos poucos, reconheço as quaresmeiras, jacarandás e palmeiras em torno de uma majestosa sibipiruna. Salvo algumas imprecisões do desenho, são as mesmas que estão nas calçadas e quintais da casa onde moro e das casas vizinhas. É um tanto estranho ver sua rua ser reconhecida, oferecida e vendida como um oásis. Há uma sensação de perda que, felizmente, desaparece quando penso que seria uma bobagem acreditar que a rua fosse “minha”. Seria apenas uma ilusão neste mundo impermanente e nesta cidade em constante mutação. A torre desenhada no papel foi erguida do outro lado da rua, diante do portão por onde entro e saio todos os dias, ocupando os terrenos de sete casas construídas desde os anos 60. Sobre o mesmo chão,moram agora três vezes mais famílias. Depois da surpresa inicial, do desconforto durante as obras e do necessário desapego, estamos felizes por compartilhar o oásis. Convivemos muito bem com o edifício vizinho, para onde, aliás, mudaram-se alguns amigos. Do terreno onde ele foi construído, mudaram- se outros, como Dirce e Natanael, que nos deixaram suas roseiras, agora replantadas em nosso jardim caipira.
Algumas das árvores mostradas no folheto ainda existem graças aos cuidados pessoais e à inspiração de um artista que durante décadas providenciava para que os passarinhos encontrassem nelas seu suprimento diário de frutas, cortadas na metade e presas aos galhos. Aldemir Martins costumava desenhar esses pássaros, ainda que não tão freqüentemente quanto os gatos. A sibipiruna que faz sombra no meu quintal fica junto ao ateliê onde ele trabalhou diariamente durante mais de 30 anos. Aldemir se foi. Ou, melhor, não se foi, ficou no que fez e no que inspirou. Está aí, nos pássaros, pintados ou reais. Aldemir era capaz de manter um oásis em torno de si próprio, estivesse onde estivesse. Talvez esteja aí uma virtude essencial nesta caótica vida urbana, a capacidade de transformar em melhor lugar do mundo qualquer lugar onde se esteja, apenas com sua presença, seja onde for. Isso vale para o que é denso, como plantas, paredes e tetos  e mais ainda para o que é sutil, como a atitude e a convivência que influencia, nutre e constrói. É algo que se projeta internamente e que repercute no entorno.
“Deve ter alamedas verdes a cidade dos meus amores”, canta Chico na voz de bichos e crianças em “A Cidade Ideal”. Para encontrar um oásis nesta cidade tantas vezes cruel, há que enxergá-la com olhos de quem ama. Quem busca um oásis será capaz de reconhecê-lo quando o encontrar. A pessoa que percebe o deserto, que decide não fazer parte dele e assim ser ela mesma uma oposição à aridez identificará o oásis naturalmente. Há que nutrir os oásis e preservá- los, seja dentro de nós mesmos, seja nas poucas árvores que ainda restam nas enormes cidades calçadas.


Caco de Paula é jornalista e mora em São Paulo, cidade que tem muito mais oásis do que pode parecer. homemdebem@abril.com.br

Seu flores



Das suas mãos nasceram mais 200 mil árvores e hoje, aos 54 anos, já reflorestou grande parte da sua cidade, Holambra, no interior de São Paulo. O consultor Flores Welle, mais conhecido como Seu Flores, tem uma empresa de reflorestamento e é responsável pela recuperação da mata nativa e ciliar em dezenas de propriedades agrícolas.


por Márcia Bindo


O sr. acaba de percorrer 7 mil quilômetros no estado de São Paulo só para fotografar árvores. O que viu na viagem?A dedicação de muitas pessoas, algumas delas com 70, 80 anos, completamente direcionadas ao replantio de árvores, colheita de mudas ou de informações sobre o assunto. Mas também percorri mais de 2 mil quilômetros em terras devastadas pelo plantio da cana-de-açúcar. Nessas regiões, consegui detectar apenas três árvores, repito, apenas três árvores que mereciam ser fotografadas.
O que faz alguém amar tanto as árvores?No meu caso, foi o amor do meu pai pela natureza. Ele foi um dos fundadores de Holambra, era um holandês professor de botânica e me ensinou a reconhecer árvores, sementes, tempos e cuidados no plantio. Hoje, aqui na cidade, temos uma visão mais harmônica com relação à natureza por causa de pessoas exemplares como ele. E outros grupos de pessoas procuram manter essa tradição e ensinar esse amor. O que uma pessoa que vive na cidade.
pode fazer para estimular o plantio de árvores?Exitem cursos de jardinagem, e eu mesmo indico agricultores que doam mudas de graça e que compartilham sementes de árvores. É só entrar em contato comigo no
e-mail: floreswelle@yahoo.com.br .

Transforme seu quintal numa festa para a passarada

Saiba como fazer comedouros e quais são as árvores frutíferas que atraem os pássaros

Árvores frutíferas e algumas das espécies de pássaros que atraem:

Acerola: árvore pequena, atrai sanhaços, saíras, sabiás
Abacateiro: árvore grande, atrai sabiás, sanhaços, jacus, pica-paus
Amoreira: árvore pequena, atrai sabiás, sanhaços, bem-te-vis, saíras
Bananeira: árvore grande, atrai tico-ticos, sanhaços, sabiás, saíras
Cajueiro: árvore média, atrai sabiás, sanhaços, saíras, periquitos, papagaios
Caquizeiro: árvore grande, atrai saíras, sabiás, bem-te-vis
Figueira: árvore grande, atrai tucanos, periquitos, jacus tico-ticos, tangarás
Gabirobeira: árvore grande (frutos amarelos), atrai sanhaços, sabiás, saíras
Goiabeira: árvore média, atrai periquitos, sanhaços, sabiás, tiés, saíras
Jabuticabeira: árvore média, atrai periquitos, sanhaços, saíras, sabiás
Mamoeiro: árvore pequena, atrai tucanos, sabiás, sanhaços, pica-paus
Pitangueira: árvore média, atrai sabiás, bem-te-vis, jacus, saíras, arapongas
Comedouro para pássaros
10 dicas para conquistar a passarada:

1 - Instale a bandeja do comedouro em altura suficiente para que não possa ser acessada por intrusos como cães, gatos e outros.

2 - É interessante escolher um local próximo a uma árvore para que os pássaros tenham sombra e também um ponto de apoio e abrigo.

3 - Água, arroz, migalhas de pão, sementes e frutas podem fazer parte do cardápio. Abacate, mamão, banana e goiaba estão entre as frutas mais apreciadas.

4 - Uma vez iniciada, a prática de oferecer alimentos não deve ser interrompida abruptamente. Principalmente nas cidades, os visitantes se acostumam com o alimento fácil à disposição e podem sofrer com a falta.

5 - Higienizar bem o comedouro e eventuais recipientes é muito importante. As garrafinhas com água e açúcar para atrair beija-flores exigem atenção especial. A falta de limpeza adequada pode favorecer a concentração de fungos e bactérias que infeccionam a língua do beija-flor e podem causar a morte do pássaro. É preciso lavar o bebedouro uma vez por semana usando uma mistura de água e cloro, além de trocar a água diariamente.
Plantio de espécies atraentes:

6 - Ter um quintal ou mesmo um canteiro em um edifício já é o suficiente para plantar uma árvore frutífera que vai atrair os pássaros. Pitangueira, abacateiro, goiabeira, ameixeira, amoreira são algumas boas opções.

7 - Mesmo a varanda de um apartamento pode ser um espaço propício para a visita de pássaros. A dica é ter um arbusto frutífero ou florífero em um vaso.

8 - Beija-flores gostam de espécies floríferas como escova-de-garrafa (Callistemon viminallis), grevílea-anã (Grevillea- banksii), ipê (Tabebuia spp.), sanquésia (Sanchezia nobilis), entre outras.

9 - Uma grevílea-anã (Grevillea- banksii) em flor corresponde ao mesmo que uma garrafinha de água com açúcar por dia. Generosa, ela floresce quase o ano todo.

10 - A arborização de parques, avenidas e jardins públicos pode ser feita com espécies que atraem os pássaros, como é o caso das árvores frutíferas. Cada um pode tentar influenciar no destino da vizinhança e do bairro para transformar a cidade em um ambiente mais amigo dos pássaros.

terça-feira, 25 de maio de 2010

MINHA RUA, MINHA CASA

Atenção e vontade. É o que basta para deixar a praça ou a calçada mais alegre, mais bonita, mais humana. No final, todo mundo ganha

por Roberta De Lucca


Há 40 anos, quando se mudou com a mulher para o bairro paulistano da Mooca, Aldo D'Angelo achou que faltava vida na sua nova rua. As únicas quatro casas que haviam ali ficavam de frente para um morro poeirento e cheio de mato, uma vista desolada. Não demorou para o engajado Aldo pedir para a prefeitura construir uma praça no lugar da elevação. Junto com os técnicos, desenvolveu o projeto da área verde e, desde que a praça existe, ele é responsável por sua conservação. Há quatro décadas. Dito assim, parece muito tempo e muito trabalho, mas ele tirou bastante proveito da mudança na paisagem.

Para Aldo, e para tantos outros cidadãos que se dedicam a cuidar do entorno de sua casa, é importante ter uma rua tão agradável quanto a própria sala de visitas. Gente como Aldo acredita que conservar a rua é uma contribuição razoável para melhorar a qualidade de vida nas cidades. Eles não se preocupam em saber se, em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, por exemplo, leis municipais os obrigam a cuidar da calçada. Eles simplesmente abrem o portão e agem. "Embora a rua seja pública, o proprietário responde pela conservação da calçada. Quem vê isso com bons olhos tem uma ótima oportunidade de cuidar da sua rua", afirma Regina Monteiro, urbanista e diretora-executiva do Movimento Defenda São Paulo. O que Regina quer dizer é o seguinte: em vez de torcer o nariz, achando que é dever da prefeitura conservar a rua, cada cidadão pode transformar essa obrigação em benefício não só para a sua própria rua, mas para o bairro.

É verdade que as prefeituras têm regras que impedem algumas idéias, mas elas também oferecem soluções, pessoal especializado e até dão uma boa força para quem se interessa em ajudar. Quer ver?

A praça é nossa Em 2001, a Associação de Moradores e Comerciantes da rua Mateus Grou, no bairro paulistano de Pinheiros, reurbanizou a área sob um viaduto que cobre um trecho da rua. Os sem-teto que viviam ali foram transferidos para asilos, o lixo foi retirado e grandes floreiras preencheram o espaço vazio. Um ano depois, a associação conseguiu da prefeitura o direito de explorar um terreno baldio na mesma rua. "O local tinha de tudo: vestiário de construtora, bar clandestino, barraco de posseiro e até ponto de drogas", diz o presidente da associação, Luís Eugênio de Mello Dall'Olio. Hoje, a área de 900 metros quadrados virou uma bela praça. Tem grama, árvores, plantas, bancos, playground e quadras poliesportivas. O espaço foi construído na base do entusiasmo e da perseverança de gente como Luís e de membros da associação, que buscaram na iniciativa privada o dinheiro para a obra. A atmosfera da vizinhança mudou. "Eu tinha vergonha de falar onde morava. Hoje tenho orgulho", afirma Daisy de Paula Tricca, conselheira da associação. Tudo bem, talvez você não tenha disposição para construir uma praça do nada, mas pode adotar uma. Em cidades como São Paulo e Belo Horizonte, as prefeituras permitem que o cidadão seja responsável pela conservação desse tipo de espaço público. "Empresas ou pessoas físicas podem cuidar de uma praça. Basta entrar com o pedido na prefeitura ou subprefeitura", afirma a urbanista Regina Monteiro, de São Paulo. Aldo, por exemplo, não cuida sozinho de sua praça, quer dizer, da Praça Padre Mário Fontana. Ele faz parte de uma cooperativa, ainda que informal. "A cada dois meses chamamos uma paisagista e ela deixa tudo bem bonito. É o 'dia da noiva' da nossa praça." Os custos são rateados entre os moradores.

Dependendo do estado da praça, a adoção é dispendiosa, mas compensa. "A satisfação pessoal de se envolver num projeto desses não tem preço", diz Cleito Christovam Natali, presidente da Aprace (Associação dos Amigos das Praças da Rua Curitiba e Entorno), também em São Paulo. Em março, começaram as obras de reurbanização de 7 mil metros quadrados de duas praças do bairro paulistano de Vila Mariana, administradas pela Aprace. A reforma vai custar nada menos que 250 mil reais e será paga pelos associados. "Estou com 82 anos e esta cidade me deu muita coisa. Agora retribuo, dando um pouco do que ganhei aos moradores e às futuras gerações", afirma Cleito.

Se cuidar de uma praça é trabalhoso e dispendioso, uma alternativa é doar brinquedos para fazer um playground. Você faz a solicitação junto à prefeitura ou subprefeitura do seu bairro e a autorização sai após a análise do local. Os brinquedos, claro, precisam atender às normas municipais, por uma questão de segurança. Depois de instalados, passam a ser patrimônio público, mas é você quem tem que conservá-los e nunca poderá retirá-los da praça, nem reclamar com alguém que quebrou um brinquedo.

Plante uma idéia Sua rua não tem praça? Tudo bem. Tem muita coisa bacana para fazer. Calçada verde, por exemplo, que é bonita e ainda reduz a impermeabilização do solo da cidade. Outras opções são canteiros junto ao muro, com arbustos, para criar uma cerca viva, um painel verde. Enfeite com flores e plantas de folhagem colorida. Próximo ao meio-fio, plante árvores, mas cuidado. Espécies que crescem muito podem prejudicar a rede elétrica e as que criam raízes profundas podem interferir na rede de água e esgotos - além de estragar o piso da calçada. Então, antes, contate a prefeitura para saber o que plantar e se é permitido plantar (veja dicas de plantas, flores e árvores no quadro da página 59). As casas de muro baixo são perfeitas para as pessoas integrarem sua moradia à calçada. "No jardim, os moradores podem colocar casinhas de passarinho com alpiste ou frutas para atrair aves ou plantar espécies frutíferas. Numa árvore grande, por que não colocar um balanço?", sugere a urbanista Regina Monteiro. Ela ainda completa dando uma bacana dica simples: ao pé de árvores, a terra pode ser preenchida com flores tipo maria-sem-vergonha ou margaridas - uma bela maneira de colorir a rua.

Troque o cinza As cores e formas também podem ser exploradas nos materiais do pavimento. Você pode simplesmente colorir o cimento ou aproveitar o branco da pedra portuguesa e dos tons terrosos dos tijolos para calçamento, por exemplo. Já a sensação de movimento vem da maneira como as pedras são dispostas no chão. Tudo é questão de bom senso e criatividade. Só não pode esquecer que o piso precisa ser antiderrapante, por medida de segurança. Muros de terrenos desocupados podem ser bem aproveitados. Se a proposta for boa, será difícil o dono do terreno se negar a deixar você e seus vizinhos pintarem o muro. Aí as alternativas vão desde o mutirão, em que os moradores pintam o paredão com uma cor básica, ou até mesmo um projeto mais bem bolado. Os moradores podem se cotizar e contratar grafiteiros profissionais ou reunir o pessoal da rua, principalmente as crianças, para criar um mural.

Em São Paulo, a ONG Cidade Escola Aprendiz ficou famosa por criar o Projeto 100 Muros. Com a ajuda de educadores e artistas plásticos, estudantes renovaram 100 muros da cidade, com tinta, pastilhas de vidro e cacos cerâmicos. "Criamos cenários para as pessoas voltarem para a rua. A idéia é que, quando a rua ganha um sentido positivo, a violência diminui. Acho que esse é um dos grandes trunfos do 100 Muros", afirma Celia Pecci, coordenadora do Cidade Escola Aprendiz.

Os frutos do desejo O que há por trás do terreno baldio é outro problema que também tem solução. Incomodado com a sujeira do terreno em frente da sua casa, o administrador de empresas Hans Dieter Temp pediu que o proprietário emprestasse o espaço de 250 metros quadrados para fazer uma horta. Apesar da incredulidade da maior parte dos moradores, Hans conseguiu, com ajuda de adolescentes da própria rua, criar uma horta no Jardim das Laranjeiras, em São Paulo. "Comprei sementes, pedi terra a empresas de terraplenagem, fiz um sistema de irrigação e aí está o resultado. Temos temperos e verduras orgânicas que são vendidas para o pessoal da rua e ainda pagam a manutenção e o salário dos meninos que trabalham na horta", diz Hans, que já fez mais duas hortas no bairro. A iniciativa lhe rendeu até emprego novo. Da Secretaria Municipal de Relações Internacionais, onde trabalhava, foi transferido para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. No novo emprego, ele participa da criação de - adivinha - hortas urbanas. A primeira feita sob sua orientação ocupa 7 mil metros quadrados sob um viaduto. Essas histórias dão pistas para você levar para a porta da sua casa um pouco da beleza e do alto-astral que você cultiva dentro dela. A dica mais valiosa, porém, é ter firmeza no seu desejo. Muitas vezes, é mais fácil pedir ajuda aos vizinhos. Então, toque a campainha e convide as pessoas. Quem já trilhou esse caminho diz que, além de embelezar a rua e humanizar a vizinhança, tal atitude dá uma agradável sensação de estar fazendo algo importante para si e, principalmente, para os outros.

Use a regra a seu favor 1. Toda calçada deve ter uma área de pelo menos 90 centímetros pavimentados para pedestres, carrinhosde bebê e cadeiras de rodas. Já que tem que fazer, por que não botar alguma intenção e deixar bonito? 2. É proibido, por lei, arrancar ou podar árvores sem autorização da prefeitura. Em compensação, em muitos casos a prefeitura faz o serviço para você, basta pedir.

3. Consulte a prefeitura antes de instalar na rua ou na praça qualquer equipamento (como um banco). Lembre-se: ao menos em tese, as restrições servem para garantir o conforto de todos.

4. O poste é patrimônio da companhia de energia elétrica. É proibido pintá-lo sem autorização. Além disso, quem não tem conhecimento técnico pode levar um choque elétrico.

5. Use o bom senso, os conselhos da prefeitura ou de um paisagista na escolha do canteiro para a calçada. Espécies com espinhos ou pontas podem machucar os pedestres, as crianças do vizinho (ou as suas).

6. Converse com seus vizinhos. Quem sabe eles não topam a empreitada e todos usam o mesmo pavimento nas calçadas, dando continuidade visual à rua.

7. Se for adotar uma praça, tenha em mente o público que já freqüenta o espaço e as pessoas que você vai atrair com eventuais modificações.

8. Enquanto a praça está sob sua responsabilidade, você pode ser até multado se não cuidar bem dela. Mas a adoção não é um encargo eterno. Se você não quiser mais cuidar da praça, pode transferir a tarefa para outra pessoa ou devolver a área para a prefeitura.

9. A lista de árvores recomendadas para plantio na calçada dá uma idéia de como há muito a ganhar no espaço público, apesar das restrições. Basta imaginar o que é ter em frente de casa um exemplar de resedá, flamboyantzinho, ipê-amarelo, ipê-roxo, angelim-doce, pitangueira ou faveira



Para saber maisConsultoria e dicas

• Arborização urbana http://educar.sc.usp.br/biologia/prociencias/arboriz.html

• Tipos de pavimentos para calçadas www.amendolaeng.com.br/dicas_calcadas.asp

• Plantio de flores, plantas, árvores e ervas www.jardimdeflores.com.br/

• Ciro Schunemann, grafiteiro com contatos de artistas de todo o país ciroschu@uol.com.br, (11) 9132-3172



Experiências de sucesso

• Cidade Escola Aprendiz www.aprendiz.org.br, (11) 3813-7719

• 100 Muros: Relato de uma Experiência, Editora Projeto Aprendiz

• Movimento Defenda São Paulo, defendasp@uol.com.br, (11) 3044-7172

• Associação dos Amigos das Praças da Rua Curitiba e Entorno, (11) 3884-2138

• Associação dos Moradores e Comerciantes da Rua Matheus Grou, www.amcmg.org.br

Serviços públicos • Adoção de praças e poda de árvores da Prefeitura de Porto Alegre http://servicos.portoalegre.rs.gov.br

• Fundação de Parques e Jardins da Prefeitura do Rio de Janeiro www.rio.rj.gov.br/fpj

• Prefeitura de Vitória (serviço de poda) www.vitoria.es.gov.br/secretarias/meio/poda.htm

• Prefeitura de Curitiba www.curitiba.pr.gov.br

• Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre www.portoalegre.rs.gov.br/smam/

• Secretaria Municipal de Meio Ambiente de São Paulo http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/meio_ambiente/qualidade_ambiental/0024





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Há 40 anos, quando se mudou com a mulher para o bairro paulistano da Mooca, Aldo D'Angelo achou que faltava vida na sua nova rua. As únicas quatro casas que haviam ali ficavam de frente para um morro poeirento e cheio de mato, uma vista desolada. Não demorou para o engajado Aldo pedir para a prefeitura construir uma praça no lugar da elevação. Junto com os técnicos, desenvolveu o projeto da área verde e, desde que a praça existe, ele é responsável por sua conservação. Há quatro décadas. Dito assim, parece muito tempo e muito trabalho, mas ele tirou bastante proveito da mudança na paisagem.



Para Aldo, e para tantos outros cidadãos que se dedicam a cuidar do entorno de sua casa, é importante ter uma rua tão agradável quanto a própria sala de visitas. Gente como Aldo acredita que conservar a rua é uma contribuição razoável para melhorar a qualidade de vida nas cidades. Eles não se preocupam em saber se, em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, por exemplo, leis municipais os obrigam a cuidar da calçada. Eles simplesmente abrem o portão e agem. "Embora a rua seja pública, o proprietário responde pela conservação da calçada. Quem vê isso com bons olhos tem uma ótima oportunidade de cuidar da sua rua", afirma Regina Monteiro, urbanista e diretora-executiva do Movimento Defenda São Paulo. O que Regina quer dizer é o seguinte: em vez de torcer o nariz, achando que é dever da prefeitura conservar a rua, cada cidadão pode transformar essa obrigação em benefício não só para a sua própria rua, mas para o bairro.



É verdade que as prefeituras têm regras que impedem algumas idéias, mas elas também oferecem soluções, pessoal especializado e até dão uma boa força para quem se interessa em ajudar. Quer ver?



A praça é nossa

Em 2001, a Associação de Moradores e Comerciantes da rua Mateus Grou, no bairro paulistano de Pinheiros, reurbanizou a área sob um viaduto que cobre um trecho da rua. Os sem-teto que viviam ali foram transferidos para asilos, o lixo foi retirado e grandes floreiras preencheram o espaço vazio. Um ano depois, a associação conseguiu da prefeitura o direito de explorar um terreno baldio na mesma rua. "O local tinha de tudo: vestiário de construtora, bar clandestino, barraco de posseiro e até ponto de drogas", diz o presidente da associação, Luís Eugênio de Mello Dall'Olio. Hoje, a área de 900 metros quadrados virou uma bela praça. Tem grama, árvores, plantas, bancos, playground e quadras poliesportivas. O espaço foi construído na base do entusiasmo e da perseverança de gente como Luís e de membros da associação, que buscaram na iniciativa privada o dinheiro para a obra. A atmosfera da vizinhança mudou. "Eu tinha vergonha de falar onde morava. Hoje tenho orgulho", afirma Daisy de Paula Tricca, conselheira da associação.

Tudo bem, talvez você não tenha disposição para construir uma praça do nada, mas pode adotar uma. Em cidades como São Paulo e Belo Horizonte, as prefeituras permitem que o cidadão seja responsável pela conservação desse tipo de espaço público. "Empresas ou pessoas físicas podem cuidar de uma praça. Basta entrar com o pedido na prefeitura ou subprefeitura", afirma a urbanista Regina Monteiro, de São Paulo. Aldo, por exemplo, não cuida sozinho de sua praça, quer dizer, da Praça Padre Mário Fontana. Ele faz parte de uma cooperativa, ainda que informal. "A cada dois meses chamamos uma paisagista e ela deixa tudo bem bonito. É o 'dia da noiva' da nossa praça." Os custos são rateados entre os moradores.



Dependendo do estado da praça, a adoção é dispendiosa, mas compensa. "A satisfação pessoal de se envolver num projeto desses não tem preço", diz Cleito Christovam Natali, presidente da Aprace (Associação dos Amigos das Praças da Rua Curitiba e Entorno), também em São Paulo. Em março, começaram as obras de reurbanização de 7 mil metros quadrados de duas praças do bairro paulistano de Vila Mariana, administradas pela Aprace. A reforma vai custar nada menos que 250 mil reais e será paga pelos associados. "Estou com 82 anos e esta cidade me deu muita coisa. Agora retribuo, dando um pouco do que ganhei aos moradores e às futuras gerações", afirma Cleito.



Se cuidar de uma praça é trabalhoso e dispendioso, uma alternativa é doar brinquedos para fazer um playground. Você faz a solicitação junto à prefeitura ou subprefeitura do seu bairro e a autorização sai após a análise do local. Os brinquedos, claro, precisam atender às normas municipais, por uma questão de segurança. Depois de instalados, passam a ser patrimônio público, mas é você quem tem que conservá-los e nunca poderá retirá-los da praça, nem reclamar com alguém que quebrou um brinquedo.



Plante uma idéia

Sua rua não tem praça? Tudo bem. Tem muita coisa bacana para fazer. Calçada verde, por exemplo, que é bonita e ainda reduz a impermeabilização do solo da cidade. Outras opções são canteiros junto ao muro, com arbustos, para criar uma cerca viva, um painel verde. Enfeite com flores e plantas de folhagem colorida. Próximo ao meio-fio, plante árvores, mas cuidado. Espécies que crescem muito podem prejudicar a rede elétrica e as que criam raízes profundas podem interferir na rede de água e esgotos - além de estragar o piso da calçada. Então, antes, contate a prefeitura para saber o que plantar e se é permitido plantar (veja dicas de plantas, flores e árvores no quadro da página 59).

As casas de muro baixo são perfeitas para as pessoas integrarem sua moradia à calçada. "No jardim, os moradores podem colocar casinhas de passarinho com alpiste ou frutas para atrair aves ou plantar espécies frutíferas. Numa árvore grande, por que não colocar um balanço?", sugere a urbanista Regina Monteiro. Ela ainda completa dando uma bacana dica simples: ao pé de árvores, a terra pode ser preenchida com flores tipo maria-sem-vergonha ou margaridas - uma bela maneira de colorir a rua.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ciberativismo


Ciberativismo é uma forma de ativismo realizado através de meios eletrônicos, como a informática e a internet. Na visão dos que o praticam, o ciberativismo é uma alternativa aos meios de comunicação de massa tradicionais, permitindo-lhes "driblar" o monopólio da opinião publica por estes meios, ter mais liberdade e causar mais impacto, ou é apenas uma forma de expressar suas opiniões.


Ciberativismo 

Na década de 90, a internet chegou mostrando a facilidade de conectar pessoas diferentes em diversas partes do mundo e logo se tornou popular. A velocidade que as informações levam para ir de um extremo ao outro chamou atenção e despertou o interesse, incluindo a de ativistas que divulgavam suas idéias através de outros meios de comunicação. Foi então que surgiram os primeiros vestígios do ciberativismo.

O Ciberativismo geralmente busca apoio para suas causas (que costumam ser de cunho ambiental, político ou social) através da Internet e de outros meios mediaticos; divulgam e abrem espaço para discussões, procurando algumas vezes estabelecer uma rede de solidariedade. A utilização das informações na Internet passou a ter maior visibilidade até mesmo pelo baixo custo e eficácia na resposta a curto, médio e longo prazo pela comunidade virtual.
Apesar de estar basicamente tudo à distância de um clique, não quer dizer que o ciberativismo se restrinja apenas a isso. Além do virtual, ainda é necessária a existência do ativismo real, por um ainda ser muito dependente do outro e ambos fazerem parte de um processo que se completa. É preciso também, o comprometimento e conhecimento do ativista pela causa que se está lutando e não apenas um clique a mais ou a menos.
O que acontece no nosso mundo real, muitas vezes pode ser reproduzido virtualmente de formas semelhantes, como, por exemplo, a existência de passeatas, abaixo assinados, petições e atos de vandalismo na web. Alguns sites foram invadidos e pichados, levando a marca do invasor ou tendo seu conteúdo modificado. Já as passeatas virtuais são feitas na intenção de boicotar um site impedindo que outras pessoas possam acessar, através de acordos de data e horário para entrar em determinado site.
Atitudes semelhantes se aproximam das ações da Mídia táctica ou “faça você sua própria mídia”, mais ou menos como o principio do punk, incentivando cada pessoa ou cada grupo que deseja tomar uma atitude, ou divulgar suas idéias, a fazerem por eles próprios de novas formas ou utilizando os mesmos meios de forma criativa, sem esperar que outros tomem uma atitude. A desmistificação da mídia e a quebra dos padrões de informações que se restringem a certos grupos sociais ou intelectualizados.
Existem alguns grupos aqui no Brasil,e um dos destaques é o Centro de Mídia Independente. Ele divulga notícias, textos e denúncias a toda hora enviados pelos voluntários cadastrados no site que , segundo eles, devem oferecer “notícia alternativa e crítica de qualidade que contribua para a construção de uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente.” O site é uma versão brasileira do Indymedia, apresentado em vários idiomas, incluindo o português.
Alguns grupos se encaixam no que se pode chamar de “guerrilha midiatica” a fim de desmascarar a mídia, mostrando o quanto ela não é confiável, a fragilidade da verdade oficial nas notícias transmitidas. Luther Blissett é um exemplo de um pseudônimo usado por muitos ativistas na realização de denuncias nesta guerrilha. Este nome vem sendo utilizado desde 1994 na Itália e se alastrou pelo mundo. Tornou-se famoso, um herói popular devido as suas ações como intervenções, cartas, falsas noticias, livros; tudo assinado por L.B.
As noticias da primeira aparição ativista social que se tem noticia, são do Exército Zapatista de Libertação Nacional, 1994, em listas de discussão, e-mails e site FTP (Protocolo de Transferência de Arquivos), mas só em 1996 criaram sua própria homepage onde podiam reivindicar os direitos indígenas ao mesmo tempo em que aproximavam seu discurso ao de novos movimentos sociais esquerdistas e ampliavam o seu campo de batalha.
O Greepeace tem seu site e pratica o ciberativismo desde 1998, sendo que mais da metade dos seus atuais colaboradores podem ajudar e participar através da Internet. Uma das causas defendidas por ele é Moratória da soja, que impede a comercialização da soja cultivada em áreas de desflorestamento da Amazônia. Causas como a proteção do oceano, diminuição da poluição, energias renováveis, animais em extinção, entre outras, também são defendidas.
Hoje em dia os sites ciberativistas são muitos e estão espalhados pelo mundo inteiro. O do MST (Movimento sem terra) hoje é um site de grande alcance, com tradução para outros idiomas, espalha seus ideais dentro e fora do Brasil, sempre evitando usar estrangeirismos. Outros projetos podem ser acessados em sites como Anistia internacional, que mantém uma campanha contra a violência que atinge as mulheres no Iraque, onde pode-se enviar uma carta ao primeiro-ministro iraquiano Nuri Kamil ou o SOS Mata Atlântica em que plantar uma árvore esta a distância de um clique no mouse.

Parque para cães






Parques para cães 









Enquanto os cães correm livremente e interagem com outros animais, seus donos fazem novos amigos, trocam dicas e promovem atividades, como feiras de adoção e concursos. É o que acontece nos “parcães” ou cachorródromos, espaços em áreas públicas onde os animais podem ficar soltos. Com tanto bicho reunido, implantam- se regras de bom senso entre os usuários, como manter a vacinação em dia, não levar cadelas no cio (para evitar brigas) e, claro, recolher os indesejáveis dejetos de seus pets. Conheça algumas cidades que já contam com parques do tipo para levar seu amigão:
Rio de Janeiro
>> Só nos fins de semana, o Parcão da Lagoa recebe cerca de 700 cães. A área foi disponibilizada para adoção da iniciativa privada pela Fundação Parques e Jardins, da Prefeitura do Rio, e três petshops cuidam da manutenção da área. Av. Epitácio Pessoa (próximo ao Corte do Cantagalo). Horário de funcionamento: livre (melhor ir aos sáb. e dom., das 9h às 12h e das 16h às 18h). Informações: (21) 22861042
Curitiba
>> Quando passeava com seu cocker spaniel pelo bairro Centro Cívico, o advogado Levy Lima Neto viu um quintalzão verde, cercado por árvores – um paraíso para cães. Não demorou para outros donos passarem a levar os bichos para brincar no local. R. Manoel Eufrásio, altura do 1500. Horário de funcionamento: livre (melhor aos sáb. e dom., das 15h às 18h). Informações: acesse a comunidade Parcão Curitiba no Orkut
São Paulo
>> O cachorródromo do Ibirapuera, em São Paulo, também foi adotado como espaço para a cachorrada brincar. E ninguém tem desculpa para não limpar o cocô do seu pet: frequentadores penduram puxa-sacos pelos postes e árvores do terreno. R. Curitiba, s/n, ao lado do Círculo Militar (próximo ao Obelisco). Horário de funcionamento: das 8h às 17h. Informações:www.caosolidario.com. Débora Didonê

terça-feira, 20 de abril de 2010

Arquiteta faz casa sustentável para viver



Ela deixou de lado conceitos para adotar na prática atitudes que evitaram queda de árvores, poluição e materiais nocivos


Sustentabilidade deixou de ser uma palavra para se tornar um foco na vida da arquiteta rio-pretense Maria de Paula Barbeiro, 34 anos.
Nenhuma árvore derrubada, sem queima de terra, uso de cimento ou de petróleo e seus derivados. Esse é o projeto de casa de Maria de Paula e essa é sua visão de um mundo melhor. E por isso é a personagem de Dê Bom Exemplo desta semana.
Formada há cinco anos em arquitetura, seu primeiro e principal desafio foi construir uma casa ecologicamente correta, no Jardim Yolanda, que estivesse dentro do que existe de mais correto em reutilização de materiais e sustentabilidade.
O sistema de construção dela é com abodes, que são tijolos de terra crua, água e palha. É considerado o antecedente histórico do tijolo.
“Foram usados em Ouro Preto, Tiradentes  e Pirinópolis [cidades históricas de Minas Gerais e Goiás]. São excelentes.”
Tesouros
Mas é claro que as mudanças não param por aí. Toda a estrutura é de madeira de eucalipto reaproveitada de postes de energia elétrica, que não tinham mais finalidade. No máximo iriam se tornar lenha em algum forno.
Janelas, portas e até móveis são de madeira de demolição. Assim como os azulejos. “A proposta é reaproveitar tudo que for possível. Encontro verdadeiros tesouros em demolições.”
Caiada
No lugar de tinta, produto altamente químico, a casa de Maria de Paula é caiada.

“Existe certo preconceito, mas o cal é o produto mais ecológico que existe, e não agride em nada o meio ambiente e é antibactericida”.
Ela pintou a casa há cinco anos e diz que agora está na hora de dar uma recuperada. Em projetos que os clientes não aceitam o cal, ela tenta introduzir tinta a base de silicato.

“Também é muito melhor do que tinta. Tem sido usada por grande empresas.” 
Telhado vivo
No lugar de telhas, a arquiteta decidiu montar um  telhado vivo. Funciona como um isolante natural de temperatura e que absorve a água das chuvas.
“No frio a casa se mentém aconchegante e no calor, é fresca”. Nos cinco anos que mora na casa ecológica, Maria de Paula nunca precisou de ar-condicionado.
“Até o ventilador desligo nas noites quentes. Dentro de casa há conforto térmico.”
Além do telhado vivo de sua casa, já fez mais quatro em casas de Rio Preto e São Paulo. Ela diz que tenta, aos poucos, introduzir conceitos de sustentabilidade em todos os projetos arquitetônicos que desenvolve. 
A casa em si, tem custo até 20% menor do que uma tradicional. O telhado já fica até 30% mais caro do que o feito em telhas. “Não se trata de custos. São valores, é agir de acordo com aquilo que você acredita.”

COMDEMA SOROCABA BIÊNIO 2010/2011




Terminou  o prazo para a inscrição dos interessados em participar do Conselho Municipal de Desenvolvimento do Meio Ambiente (Comdema) no biênio 2010/2011. 
As inscrições foram feitas, na Secretaria de Meio Ambiente, que fica na Rua Campos Salles, 850, na Vila Assis.
De acordo com o edital de chamamento, puderam participar do Comdema as instituições de ensino superior, de ensino médio, organizações não governamentais ambientalistas, associações civis com previsão estatutária na área de meio ambiente, conselhos de classe, associações de profissionais e sindicatos de trabalhadores.
Para participar, as universidades deveriam ter curso superior na área de meio ambiente; as ONGs e associações civis precisariam apresentar ata de constituição, CNPJ, estatuto, sede em Sorocaba, realização de trabalho na área ambiental, plano de ação e, no mínimo, dois anos de existência; já os conselhos de classe, associações profissionais e sindicato dos trabalhadores necessitam atuar na área.
De acordo a Sema,  uma comissão analisou a documentação apresentada pelas entidades cadastradas e definiu quem participará do processo de eleição de membros do segmento da sociedade civil, as entidades habilitadas deverão comparecer à Sema, para participar da reunião de eleição dos segmentos que comporão o conselho.
O Comdema é um órgão colegiado local, de composição paritária, com caráter consultivo, deliberativo e de assessoramento da Prefeitura de Sorocaba, em questões relativas ao Meio Ambiente. 
O Conselho é formado por 24 membros, sendo 12 do Poder Público e 12 da Sociedade Civil.
Informações podem ser obtidas pelos telefones (15) 3233-7455.